Na reunião de ontem, os que estavam presente falaram sobre os artigos que leram.
Abaixo procurei organizar as informações de forma que todos possam ter acesso.
Quem quiser questionar fique a vontade.

Aves

Camilla falou sobre a ocorrência de plástico no estômago de Procellariformes (albatrozes e petréis) no sul do estado de São Paulo em um estudo realizado na Ilha Comprida.
Foram as seguintes espécies, segue o link para a situação das espécies na lista vermelha:
Macronectes giganteus http://www.iucnredlist.org/details/144819/0 - Petrel-gigante
Thalassarche melanophrys http://www.iucnredlist.org/details/144906/0 - Albatroz-de-sobrancelha-negra
Thalassarche chlororhynchos http://www.iucnredlist.org/details/144910/0- Albatroz-de-nariz-amarelo
Puffinus puffinus http://www.iucnredlist.org/details/144885/0 - Pardela-sombria
Puffinus gravis http://www.iucnredlist.org/details/144881/0 - Pardela-de-bico-preto
Puffinus griseus http://www.iucnredlist.org/details/144882/0 - Pardela-escura
Fulmarus glacialoides http://www.iucnredlist.org/details/144822/0 - Petrel-prateado ou Pardelão-prateado
Daption capensis - não consta na lista - Pomba-do-cabo
Pachyptila belcheri http://www.iucnredlist.org/details/144866/0 - Faigão-de-bico-fino
Procellaria aequinoctialis http://www.iucnredlist.org/details/144871/0 - Pardela-preta
Segundo Camilla, o estudo considerou o tamanho e a cor dos itens plásticos encontrados.
Baribieri, E. (2009) Occurence of Plastic Particles in Procellariiforms, South of São Paulo State (Brazil). Braz.Arch.Biol. Technol. v.52 n.2, pp.341-348.

Lygia falou sobre um estudo feito na costa da Holanda (Dutch coast). Com a Northern Fulmar, no artigo não é especificado o nome científico da espécie, procurando no google chegamos ao seguinte nome Fulmarus glacialis (http://www.iucnredlist.org/details/144821/0). Esta espécie é muito semelhante ao Petrel-prateado, ou Southern Fulmar, ou Fulmarus glacialoides (http://www.iucnredlist.org/details/144822/0) encontrado no Brasil. A diferença é que o primeiro (Northern Fulmar) é encontrado apenas no hemisfério norte, enquanto o segundo (Southern Fulmar) é encontrado apenas no hemisfério sul, mas as duas espécies guardam grande semelhanças.
Durante os meses de agosto e setembro são encontradas muitas conchas internas de sépia na costa holandesa, e essas conchas tem marcas de bicadas, essas bicadas são, segundo o artigo, provavelmente de Northen Fulmars, pois essas conchas são a fonte de cálcio que elas precisam para a reprodução (ovos). O autor faz uma comparação entre a quantidade de conchas com bicadas e a quantidade de plástico com bicadas. Sugerindo que elas estão consumindo plástico por engano, achando que são conchas.
Cadeé. G. (2002) Seabirds and floating plastic debris. Marine Pollution Bulletin v 44, n.11 ,pp. 1294-1295.

Mamíferos

O artigo que Juliana leu era sobre conteúdo estomacal de uma Baleia encontrada na praia Mar Grosso em São José do Norte, no sul do Brasil.
A espécie da baleia é Mesoplodon densirostris, (http://www.iucnredlist.org/details/13244/0) também conhecida como baleia de bico ou baleia bicuda.
Segundo Juliana foi encontrado um emaranhado de plástico azulado de 35cm³ no estômago da baleia. Não foram encontrados parasitas no estômago e nem no intestino da baleia, indicando que ela não se alimentava há algum tempo. O emaranhado plástico encontrado pode ter gerado uma falsa sensação de satisfação, causando a falta de apetite e o consequente enfraquecimento da baleia, que em ultimo caso a levou a ficar encalhada.
Secchi, E. R. & Zarzur, S. (1999) Plastic debris ingested by a Blainville's beaked whale, Mesoplodon densirostris, washed ashore in Brazil. Aquatic Mammals, v.25 n. 1, pp.21-24.

Gerson leu um artigo sobre a ocorrência de focas-monge do havaí, foca havaiana, monk seal, ou Monachus schauinslandi (http://www.iucnredlist.org/details/13654/0) emaranhadas. Antes e após a implementação do Anexo V da MARPOL. Embora a Convenção Internacional para a Prevenção de Poluição por Navios (MARPOL) tenha sido instituída em 73/78, seu anexo V só foi formalmente adotado em 1988 vindo a ser efetivado em 1989. O estudo foi feito no Havaí entre 1982 e 1998, antes e pós anexo V da MARPOL.
A metodologia utilizada foi a observação e contagem de focas enroscadas, o resíduo deveria fazer um laço, ou seja estar preso de forma que a foca não poderia tirar sozinha. Segundo Gerson, os filhotes de foca representavam a maioria enroscada. Segundo o estudo não houve diminuição significative de no número de emaranhamentos após a implementação do MARPOL, mesmo de itens diretamente relacionados a embarcações, como redes e linhas de pesca.
Henderson, J.R. (2001) A pre- and Post-MARPOL Annex V Summary of Hawaiian Monk Sela Entanglements and Marine Debris Accumulaion in the Nothwestern Hawaiian Islands, 1982-1998. Marine Pollution Bulletin. v.42,n.7, pp. 584-589.


Tartarugas

O artigo que eu li foi sobre a ingestão de plásticos em tartarugas marinhas, encontradas mortas na costa do Rio Grande do Sul, em um trecho de 150km de praia que foi percorrido de carro a uma velocidade 30km/h, em uma periodo de 11 meses (agosto de 1997 a Setembro de 1998).
As espécies encontradas foram:
Chelonia mydas http://www.iucnredlist.org/details/4615/0 - Tartaruga verde - ameaçada
Caretta caretta http://www.iucnredlist.org/details/3897/0 - Cabeçuda - ameaçada
Dermochelys coreacea http://www.iucnredlist.org/details/6494/0 - Tartaruga de Couro - criticamente ameaçada

As tartarugas encontradas tinham idade estimada pelo tamanho da carapaça. O material sintético encontrado no conteúdo estimacal foi classificado pela cor, formato e peso.
Os principais itens encontrados foram sacolas plásticas e cordas/linhas de plástico das cores brancas e transparentes (confundem com água-viva).
A causa da morte de 4 especimens encontrados foi a obstrução do trato digestivo.
As tartarugas verdes foram as que apresentaram a maior frequência de ingestão de plástico.
As cabeçudas e de couro apresentaram uma frequência menor.
Bugoni, L. Hrause, L & Petry, M.V. (2001) Marine Debris and Human Impacts on Sea Turtles in Southern Brazil. Marine Pollution Bulletin. v.42,n12, pp.1330-1334.


Espécies invasoras

Caio leu um artigo sobre o transporte de espécies invasoras por itens de plásticos flutuantes no oceano Atlântico.
Segundo Caio o estudo abrangeu desde o oceano atlântico sul até os mares do Ártico (68°S até 78°N). A metodologia se baseou na observação de bordo e na coleta aleatória de alguns itens flutuantes, e itens em ilhas oceanicas, esses itens eram analisados para identificar as espécies colonizadoras, que estariam sendo transportadas para outras regiões.
A maior densidade encontrada foi no nororeste europeu, próximo ao Reino Unido.
Os grupos de organismos encontrados colonizando esses itens foram briozoários, anelídeos e crustáceos mais especificamente um tipo de craca conhecida como lepa.
Caio disse que comparativamente o transporte de espécies pela água de lastro de navios é muito mais significativo do que por resíduos flutuantes. No entanto, podem ser tomadas medidas de controle para a água de lastro, o que é muito mais difíceis para o lixo flutuante.
Barnes, D.K. & Milner, P. (2005) Drifting plastic and its consequences for sessile organism dispersal in the Atlantic Ocean. Marine Biology v.146, pp. 815-825.


Tentei fazer um resumo com as informações que foram ditas ontem e quando tive dúvida consultei a internet e o artigo em si.
Por favor, se encontrarem algo que não está claro ou que as pessoas que leram os artigos discordem completamente, me avisem.
Com relação a biologia, hábitos e distribuição das espécies, caso vocês tenham interesse, sugiro consultar esse site:
http://www.sealifebase.org/search.php

Todas as Imagens presentes nesse post foram retiradas do banco de Imagens da NOAA (https://marinelife.noaa.gov/media_lib/search.aspx?act=ret)

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Tags: fauna, impactos

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